Última alteração: 2018-10-15
Resumo
O limão Cravo possui diversas características que o qualificam como porta-enxerto viável, dentre as quais se destacam: tolerância à tristeza dos citros e ao déficit hídrico, facilidade de obtenção de sementes, compatibilidade adequada com as variedades copa, indução de crescimento às copas nele enxertadas, produção precoce e alta produtividade de frutos. Para a obtenção de porta-enxertos de citros, a Instrução Normativa 48, do Ministério da Agricultura Pesca e Abastecimento (MAPA), de 24 de setembro de 2013, exige um mínimo de 50% de germinação para a comercialização das sementes de citros. Objetivou-se com este trabalho monitorar alterações físico-químicas em frutos de limão cravo buscando um ponto de colheita visando obter sementes com qualidade fisiológica para a obtenção de porta-enxertos. A colheita dos frutos foi realizada em três estádios de maturação: 180, 210 e 240 dias após a antese (DAA). Os frutos foram armazenados em câmara fria (5±2°C e 85±3% de umidade relativa) e avaliados aos 0, 15, 30 e 45 dias após o armazenamento. Foram realizas determinações físico-químicas nos frutos: índice de cor, sólidos solúveis (SS), acidez total titulável (AT) e ratio (SS/AT). Para a avaliação da qualidade fisiológica das sementes todos os frutos foram divididos ao meio na região equatorial, com a finalidade de retirar as sementes. Com as sementes classificadas como normais (não abortadas) realizou-se o teste de germinação. Os frutos colhidos aos 180 e 210 DAA apresentaram aumento no índice de cor da casca ao longo do período de armazenamento. A baixa temperatura durante o armazenamento dos frutos contribuiu na síntese de carotenoides e na degradação enzimática da clorofila, o que pode explicar a alteração da pigmentação da casca dos frutos. Os frutos colhidos aos 180 e 210 DAA apresentaram maior teor de sólidos solúveis (8,3 e 8,0 °Brix, respectivamente) e maior AT (5,7 e 5,5%, respectivamente) comparado aos frutos colhidos aos 240 DAA (7,7 °Brix e 4,7%). Os frutos colhidos aos 240 DAA apresentaram maior valor de ratio (1,7) comparado aos frutos colhidos aos 180 e 210 DAA (1,4 e 1,5, respectivamente). A menor AT dos frutos colhidos aos 240 DAA promoveu um ratio maior comparado aos demais estádios de maturação. As sementes extraídas de frutos colhidos aos 240 DAA, antes do armazenamento, apresentaram maior porcentagem de germinação (97%), comparado aos frutos colhidos aos 180 e 240 DAA (77 e 75 %, respectivamente). Nas sementes extraídas de frutos colhidos aos 210 DAA houve aumento (21%) da porcentagem de germinação após 45 de armazenamento dos frutos. O armazenamento dos frutos em câmara fria, pode ter quebrado a dormência das sementes. Conclui-se com este trabalho que o armazenamento dos frutos colhidos aos 210 DAA aumenta a porcentagem de germinação das sementes. As sementes extraídas de frutos colhidos aos 240 DAA (casca alaranjada, menor quantidade de sólidos solúveis e acidez, e maior ratio) apresentam maior porcentagem de germinação (97%).
Palavras-chave
Referências
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