Última alteração: 2018-10-28
Resumo
A família Myrtaceae compreende 23 gêneros e aproximadamente 1000 espécies no Brasil, sendo o gênero Eugenia L. o maior gênero de angiospermas da flora brasileira, possuindo 387 espécies, representado em quase todos os biomas (BFG, 2015). A complexidade taxonômica do gênero incentiva estudos que facilitem a identificação das espécies (ALVAREZ & SILVA, 2012). Trabalhos filogenéticos recentemente desenvolvidos apontam essencialmente 9 seções no gênero (MAZINE et al., 2014, 2016). O presente trabalho teve como objetivo contribuir com a taxonomia de Eugenia L. realizando a descrição morfológica de estiletes em flores de espécies de cada uma das seções do gênero, visando subsidiar o reconhecimento de espécies e seções. Para tanto, foram avaliadas flores provindas de material depositado nos herbários. A seleção das espécies estudadas teve como base a representatividade das seções. São elas: Eugenia dysenterica DC. (Eugenia sect. Pseudeugenia), E. myrcianthes Nied. (E. sect. Hexachlamys), E. pyriformis Cambess. (E. sect. Pilothecium), E. brasiliensis Lam. (E. sect. Eugenia), E. involucrata DC. (E. sect. Phyllocalyx), E. acutata Miq. (E. sect. Calycorectes), E. brevistyla D. Legrand (E. sect. Calycorectes), E. florida DC. (E. sect. Racemosae), E. punicifolia (Kunth) DC. (E. sect. Umbellatae), E. pluriflora DC. (E. sect. Umbellatae), E. excelsa O.Berg (E. sect. Umbellatae), E. platyphylla O.Berg (E. sect. Umbellatae), E. pistaciifolia DC. (E. sect. Umbellatae), E. lindahlii Urb. & Ekman (E. sect. Umbellatae). Foram analisados botões florais e flores abertas reidratadas. As análises foram feitas com o auxílio de estereomicroscópio e pinça de relojoeiro para manuseio do material. No botão floral, foram removidas as pétalas e sépalas para que o estilete fosse visualizado. A seção Umbellatae, a maior seção do gênero, foi a única que apresentou estilete com dobra acentuada na porção central no botão floral. Essa curvatura antes observada no botão serve como uma alavanca que impulsiona seu crescimento (SILVA E PINHEIRO, 2009). O resultado disso é a diminuição da quantidade de grãos de pólen nas papilas estigmáticas evitando a autopolinização automática (PROENÇA & GIBBS, 1994), isso resultaria em maiores visitas de polinizadores e aumentam as chances de polinizações cruzadas, resultando maior variabilidade genética.
Palavras-chave
Referências
ALVAREZ, A.S; SILVA, R.J.F. Anatomia foliar de espécies de Eugenia L. (Myrtaceae) oriundas da restinga de Algodoal / Maiandeua – Pará. INSULA Revista Botânica 41: 83-94p, 2012.
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MAZINE, F.F.; BÜNGER, M.O.; FARIA, J.E.Q.; LUCAS, E. & SOUZA, V.C. Sections in Eugenia (Myrteae, Myrtaceae): nomenclatural notes and a key. Phytotaxa 289 (3): 225–236p, 2016.
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