Portal de Eventos CoPICT - UFSCar, [UFSCar Sorocaba] XXV CIC e X CIDTI - 2018

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Revisitando a taxonomia de Heladena e Henleophytum (Malpighiaceae) a partir de caracteres anatômicos carpológicos
Wendy Stefani Cristine da Silva, Rafael Felipe de Almeida, Leticia Silva Souto

Última alteração: 2018-10-23

Resumo


A família Malpighiaceae tem distribuição tropical e subtropical (Davis & Anderson, 2010), sendo suas espécies muito variadas quanto ao hábito, tipo de fruto, morfologia polínica e número cromossômico. No Brasil ocorre a maior diversidade em número de espécies (Anderson 2004), com 572 espécies e 45 gêneros (Flora do Brasil 2020, em construção). Heladena Adr. Juss e Henleophytum H. Karst são gêneros monoespecíficos da família, com grande semelhança morfológica e que aparecem como grupos irmãos nas filogenias recentes (Davis & Anderson, 2010). Ambos se diferenciam quase que exclusivamente pela morfologia carpológica, sendo os frutos esquizocarpos lisos em Heladena e esquizocarpos setosos em Henleophytum (Niedenzu, 1928). O objetivo desse trabalho foi realizar um estudo anatômico carpológico detalhado em Heladena e Henleophytum, buscando auxiliar na compreensão de suas delimitações genéricas. Foram utilizados botões florais, flores em antese, frutos em desenvolvimento e maduros provenientes de exsicatas. O material foi reidratado segundo o protocolo de Smith & Smith (1942, modificado), incluído em historesina, seccionado e corado com Azul de Toluidina a 0,05% (O’Brien 1964, modificado). O ovário da flor em ambas as espécies é tricapelar, apresentando epiderme externa uniestratificada com tricomas tectores, mesofilo ovariano externo meristemático e mesofilo ovariano interno com células alongadas transversalmente. Em Henleophytum ocorrem células fenólicas na lateral do carpelo no mesofilo ovariano externo e na região lateral e ventral no mesofilo ovariano interno. Em Heladena a epiderme interna pode ser dividida em duas regiões, a mais externa formada por células alongadas longitudinalmente, enquanto a mais interna possui células isodiamétricas. Em Henleophytum a epiderme interna é multiestratificada com células ligeiramente alongadas transversalmente nas regiões dorsal e lateral e alongadas longitudinalmente na região ventral. Os frutos maduros apresentam exocarpo uniestratificado com tricomas tectores, em Heladena é fenólico e em Henleophytum ocorrem idioblastos fenólicos. Em Heladena o mesocarpo externo é parenquimático, com idioblastos fenólicos e drusas alinhadas na camada mais interna. Em Henleophytum o mesocarpo externo tem as camadas mais externas parenquimáticas, as camadas medianas ligeiramente alongadas radialmente e com parede lignificada e as mais internas com conteúdo fenólico. O mesocarpo interno em Heladena é lignificado e alongado transversalmente, o endocarpo externo tem células lignificadas e alongadas longitudinalmente e o interno tem células isodiamétricas, lignificadas e fenólicas. Em Henleophytum mesocarpo interno e endocarpo são lignificados e com células alongadas transversalmente na região dorsal. Na região ventral as células do mesocarpo interno são alongadas transversalmente e do endocarpo alongadas longitudinalmente. Em Henleophytum as emergências são formadas pelo exocarpo e mesocarpo externo. Em ambas as espécies, o tórus é parenquimático e ocorre uma linha de fragilidade na região de contato entre o tórus e cada mericarpo. Esta análise ontogenética detalhada evidencia que desde o início do desenvolvimento, os ovários e frutos dessas espécies são muito distintos, sendo um caráter útil para mantê-las em gêneros separados. Entretanto é importante analisar esses dados em conjunto com outros dados morfológicos e moleculares para a decisão da melhor circunscrição dessas duas espécies.


Palavras-chave


Fruto, ontogênese, Malpighiaceae

Referências


Heald V (eds). Flowering Plants of the Neotropics. Princeton University Press, Princeton. pp. 229–232.

Davis CC, Anderson WR. 2010. A complete genetic phylogeny of Malpighiaceae inferred from nucleotide sequence data and morphology. American Journal of Botany 97: 2031–2048.

Flora do Brasil 2020 em construção. Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Disponível em: <http://floradobrasil.jbrj.gov.br/ >. Acesso em: 25 Set. 2018.

Niedenzu FJ. 1928. Malpighiaceae. In Engler A (ed.). Das Pflanzenreich IV. Vol. 141. pp. 1- 870.

O’Brien TP, Feder N, McCully ME. 1964. Polychromatic staining of plant cell walls by toluidine blue O. Protoplasma 59: 368–37.

Smith FH, Smith EC. 1942. Anatomy of the inferior ovary of Darbya. American Journal of Botany 29: 464–471.