Última alteração: 2019-11-15
Resumo
A conservação do Cerrado brasileiro e demais biomas vem na contramão do desenvolvimento e da expansão agrícola nacional. A destinação do solo para atividades agrícolas causou fragmentação de hábitats, perda de biodiversidade, invasão de espécies exóticas, erosão dos solos, poluição de aquíferos, degradação de ecossistemas, alterações nos regimes de queimadas e desequilíbrios no ciclo do carbono. Nesse contexto a restauração ecológica é uma alternativa para retomar a estrutura e funcionalidade do Cerrado em diversas regiões do Brasil onde ele foi degradado. O plantio de árvores nativas é ainda a técnica de restauração mais utilizada em regiões tropicais, mesmo em regiões de Cerrado, onde há fitofisionomias não-florestais, como savanas e campo. Embora espécies não arbóreas sejam um elemento importante para o funcionamento e para a biodiversidade do Cerrado, faltam estudos sobre a produção de mudas para suas plantas herbáceas e arbustivas. Portanto, esse projeto testou a produção de mudas de subarbustos do Cerrado por estaquia, visando seu emprego na restauração ecológica. As espécies testadas foram Anacardium humile (A.St.-Hil.) e Pradosia brevipes (Pierre) T.D.Penn. Houve diferentes tratamentos, para A. humile foram coletadas três estacas de cada tratamento por indivíduo, nas seguintes posições: T1- Apical (região apical dos ramos caulinares), T2- Basal (região basal dos ramos caulinares), T3- Subterrâneo (região dos caules subterrâneos). Para P. brevipes foram retiradas estacas provindas apenas de caules subterrâneos pelo fato da espécie apresentar caules aéreos diminutos, assim tendo apenas o tratamento T3- Subterrâneo (região dos caules subterrâneos). A coleta das estacas das espécies selecionadas para o projeto foi feita nas diversas fitofisionomias de Cerrado que ocupam a Estação Experimental de Mogi Guaçu do Instituto Florestal, localizada em Mogi Guaçu-SP, e o experimento de propagação por estacas foi conduzido em viveiro com sombrite 50% e irrigação por microaspersão durante 150 dias. As estacas foram avaliadas a partir dos cálculos dos percentuais de estacas com brotos, folhas e ou raízes emitidas em cada espécie ou tratamento. Durante os cinco meses de condução do experimento em viveiro, nenhuma estaca caulinar, de ramos apicais e basais de A. humile emitiu brotos, consequentemente, não havendo também a emissão de folhas dessas estacas. Para P. brevipes, 33,3% das estacas subterrâneas tiveram brotações. Para A. humile, 23,3% das estacas da região subterrânea (região dos caules subterrâneos) apresentaram brotos ou tiveram folhas novas emitidas em ao menos uma avaliação. Após 150 dias, apenas duas do total de estacas enraizaram, sendo ambas provenientes de P. brevipes, tendo está uma proporção de 6,7% de enraizamento. A rebrota de apenas estacas subterrâneas indica que estacas dessa parte são mais promissoras para enraizamento nas espécies de subarbustos do Cerrado estudadas. Porém, mesmo as estacas que rebrotaram acabaram secando ao longo do tempo, sugerindo que algo impede o enraizamento dessas estacas, mesmo após a emissão de folhas. As causas e as formas de se superar esses gargalos devem ser objetivos de novos estudos visando a produção de mudas de subarbustos nativos do Cerrado por estaquia.