Última alteração: 2019-11-15
Resumo
O Cerrado possui grande importância biológica devido à alta diversidade e riqueza de espécies presente, sendo necessária sua conservação e restauração ecológica. O estudo da influência dos micro-organismos do solo do Cerrado e como eles afetam a germinação e o estabelecimento das plantas nativas pode ajudar na restauração de áreas degradadas dessa rica savana brasileira, sendo possível desenvolver um manejo maximizado à adequação da vida microbiana benéfica do solo. Esse projeto visou entender como os micro-organismos do solo afetam o desempenho de duas gramíneas nativas do Cerrado, Schizachyrium sanguineum e Loudetiopsis chrysothrix. As espécies de gramíneas foram cultivadas em viveiro sob sombrite e irrigação por aspersão, em solos microbiologicamente diferentes: sob solo nativo natural e esterilizado (autoclavado). Foi avaliado o tempo médio de emergência da implantação do experimento até os quatro meses, e a altura das plântulas e o número de perfilhos aos dois meses após a semeadura. Ao final dos quatro meses de avaliação em sementeiras, as plantas de cada tratamento foram lavadas e cortadas, separando a parte aérea, e submetidas à secagem em estufa. Houve uma tendência das sementeiras cujos solos não foram autoclavados terem um maior índice de emergência das plântulas com relação às sementeiras cujos solos sofreram esterilização. No solo esterilizado, ambas as espécies tiveram menor número de perfilhos, menor altura e massa seca quando comparados ao tratamento do solo natural, mas em todos os casos, os valores foram crescentes. As plantas também foram maiores no solo não autoclavado, porém L. sanguineum demonstrou diferença entre os tratamentos apenas no começo das avaliações. A presença da microbiota favoreceu a emergência das sementes, e o crescimento em altura, número de perfilhos e biomassa das plântulas. Dessa forma, os resultados indicam que os micro-organismos do solo podem proporcionar um melhor desempenho das gramíneas nativas. Meios de mantê-los nos substratos de germinação e cultivo dessas plantas em viveiro estudados como estratégia para a produção de mudas dessas gramíneas, visando à restauração ecológica de formações não arbóreas do Cerrado.