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COMPARAÇÃO DO COMPORTAMENTO DE CUIDADO MATERNO DE OVELHAS PRIMÍPARAS E MULTÍPARAS
Maira Abigail Dos Santos Silva, Daniel Mendes Borges Campos, Iuri Emmanuel de Paula Ferreira, Gustavo Fonseca de Almeida

Última alteração: 2019-10-11

Resumo


Introdução: O período pós-parto é uma fase delicada na ovinocultura por ser essencial para sobrevivência de cordeiros. Ter conhecimento do comportamento materno possibilita a aplicação de medidas adequadas de manejo às necessidades dos animais. Objetivo: Comparar o comportamento de cuidado com as crias de ovelhas multíparas e primíparas. Metodologia: O método utilizado consistiu em submeter as fêmeas dos dois grupos a um labirinto em forma de T no aprisco do setor de ovinos do campus Lagoa do Sino. Em um dos lados da parte superior do T, o filhote era alocado dentro de uma caixa de madeira que não permitia a visualização entre a mãe e o filhote, somente a vocalização. Do outro lado, um filhote de outra fêmea era colocado dentro de uma segunda caixa de madeira. No momento que a fêmea era solta no início do corredor, iniciava-se o registro de tempo que cada mãe levava para encontrar seu filhote. Outros comportamentos como vocalização e frequência, acerto ou erro foram registrados. Para analisar os dados, foram utilizados modelos lineares generalizados com distribuição binomial e função de ligação Logit. A significância dos efeitos dos fatores experimentais sobre a chance de sucesso foi acessada por análise de desvio (deviance). Os fatores estudados foram repetições no tempo (rodadas), sexo do filhote (M/F), frequência de vocalização materna (alta, média e baixa), se a fêmea teve cria anterior (primíparas / multíparas) e se as ovelhas seguiam diretamente para encontrar seus filhotes ou ficaram perdidas (deslocamento). Os tempos para completar a tarefa nos dois grupos experimentais foram comparados pelo teste não paramétrico de Wilcoxon. Considerou-se o nível de significância em todos os testes de hipóteses. Resultados: As fêmeas que se deslocaram diretamente às caixas contendo seus respectivos filhotes apresentaram uma chance de acerto 27,4 vezes maior do que as ovelhas que ficaram perdidas no labirinto (). Há uma associação negativa entre vocalização e acerto (). Foi constatado que as fêmeas que vocalizam em maior intensidade têm apenas 15,58% da chance de acerto verificada para as fêmeas que não vocalizaram. As chances de acerto não foram influenciadas pela repetição no tempo (), sexo do filhote () ou pelo fato das ovelhas serem primíparas (). Os tempos de teste não diferiram entre ovelhas multíparas e primíparas que completaram a tarefa (W =71; p=1,000). Conclusão: Foi possível verificar que ovelhas primíparas e multíparas apresentaram comportamento semelhante neste estudo, do teste do labirinto em T, e não houve diferença significativa em relação ao cuidado materno de fêmeas de primeira cria ou de fêmeas de múltiplas crias. Em relação a vocalização, as ovelhas também não apresentaram diferenças entre as categorias quando não encontravam seus cordeiros. Contudo, na fase pós desmame, o aumento na frequência e na intensidade da vocalização das ovelhas pode ser um indicativo para produtores ficarem atentos para rápido atendimento visando evitar o estresse das matrizes e a perda de cordeiros.


Palavras-chave


Ovinos; Bem-estar; Agroecologia

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