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Esquistossomose no município de São Carlos, São Paulo: investigação clínico-epidemiológica dos casos notificados
Silvana Gama Florencio Chachá, Beatriz Correia Rocha, Carlos Fischer Toledo, Sigrid De Sousa Santos, Lucimar Retto da Silva Avó, Rafael Luís Luporini, Fernanda Freitas Anibal, Roseli Tuan, Kátia Spiller

Última alteração: 2019-10-03

Resumo


Introdução: A esquistossomose é causada por um parasita trematódeo, cuja infecção envolve fatores socioeconômicos, ambientais, comportamentais, parasitários e vetoriais. É endêmica em 52 países, dentre eles o Brasil, cujos casos se distribuem com maior frequência em áreas no nordeste e sudeste. Movimentos migratórios e invasão de áreas de risco, sem saneamento básico e água tratada, próximas a córregos e mangues contaminados favorecem a presença da doença no estado de São Paulo. Considerando que no município de São Carlos áreas potenciais de infestação e contaminação do S mansoni não são conhecidas embora se tenha casos notificados da doença, levantou-se a necessidade de se investigar e delimitar áreas potenciais de risco para a transmissão do agente. Objetivos: Este trabalho analisou o perfil clínico-epidemiológico de portadores da esquistossomose mansônica no município de São Carlos. Métodos: Este estudo foi realizado na forma de levantamento epidemiológico descritivo, por meio da revisão das fichas de notificação e dos prontuários de pacientes portadores de esquistossomose do município de São Carlos e região. Foram coletados dados demográficos, descrição das condições de moradia atual e prévias, visitas a áreas sabidamente endêmicas para esquistossomose e a áreas locais com potencial ambiental para a transmissão do Schistosoma mansoni. Dados referentes a forma de diagnóstico, pesquisa de doença ativa no momento do diagnóstico, manifestações clínicas e tratamentos previamente realizados foram coletados a fim de se traçar o perfil clínico dos pacientes. Resultados: Foram notificados 33 casos de esquistossomose, sendo 21 mulheres, média de idade de 30,6 anos (±12,3anos); maioria brancos (48%) e pardos (42%); 82% sem ensino médio. Principais ocupações: serviços domésticos (45%) e indústria. Formas clínicas mais encontradas: intestinal (64%) e hepatoesplênica (21%). Em quatro pacientes não foi possível verificar a forma clínica. Vinte e oito casos considerados alóctones (85%), dois autóctones (6%) e três indeterminados. Houve contato com coleções hídricas em Alagoas (24%), Bahia (24%), Minas Gerais (18%), Pernambuco (15%), Paraná (3% e Sergipe (3%). Onze pacientes (33%) tiveram contato com coleções hidrícas de São Carlos (33%), principalmente a Represa do 29 (24%) e o Broa (18%). Três pacientes tiveram contato apenas com coleções hídricas de São Carlos. Diagnóstico por método de Lutz em 76% e Kato-Katz em 21% dos casos. A maioria dos pacientes (82%) foi submetida a tratamento. Pacientes não tratados tinham menor escolaridade (p<0,01). Conclusão: não se pode excluir a possibilidade de haver casos de esquistossomose adquiridos em São Carlos, sendo oportuna a pesquisa de planorbídeos em coleções hídricas regionais.


Palavras-chave


Schistosoma mansoni, esquistossomose, epidemiologia

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