Última alteração: 2019-10-03
Resumo
Introdução: A esquistossomose é causada por um parasita trematódeo, cuja infecção envolve fatores socioeconômicos, ambientais, comportamentais, parasitários e vetoriais. É endêmica em 52 países, dentre eles o Brasil, cujos casos se distribuem com maior frequência em áreas no nordeste e sudeste. Movimentos migratórios e invasão de áreas de risco, sem saneamento básico e água tratada, próximas a córregos e mangues contaminados favorecem a presença da doença no estado de São Paulo. Considerando que no município de São Carlos áreas potenciais de infestação e contaminação do S mansoni não são conhecidas embora se tenha casos notificados da doença, levantou-se a necessidade de se investigar e delimitar áreas potenciais de risco para a transmissão do agente. Objetivos: Este trabalho analisou o perfil clínico-epidemiológico de portadores da esquistossomose mansônica no município de São Carlos. Métodos: Este estudo foi realizado na forma de levantamento epidemiológico descritivo, por meio da revisão das fichas de notificação e dos prontuários de pacientes portadores de esquistossomose do município de São Carlos e região. Foram coletados dados demográficos, descrição das condições de moradia atual e prévias, visitas a áreas sabidamente endêmicas para esquistossomose e a áreas locais com potencial ambiental para a transmissão do Schistosoma mansoni. Dados referentes a forma de diagnóstico, pesquisa de doença ativa no momento do diagnóstico, manifestações clínicas e tratamentos previamente realizados foram coletados a fim de se traçar o perfil clínico dos pacientes. Resultados: Foram notificados 33 casos de esquistossomose, sendo 21 mulheres, média de idade de 30,6 anos (±12,3anos); maioria brancos (48%) e pardos (42%); 82% sem ensino médio. Principais ocupações: serviços domésticos (45%) e indústria. Formas clínicas mais encontradas: intestinal (64%) e hepatoesplênica (21%). Em quatro pacientes não foi possível verificar a forma clínica. Vinte e oito casos considerados alóctones (85%), dois autóctones (6%) e três indeterminados. Houve contato com coleções hídricas em Alagoas (24%), Bahia (24%), Minas Gerais (18%), Pernambuco (15%), Paraná (3% e Sergipe (3%). Onze pacientes (33%) tiveram contato com coleções hidrícas de São Carlos (33%), principalmente a Represa do 29 (24%) e o Broa (18%). Três pacientes tiveram contato apenas com coleções hídricas de São Carlos. Diagnóstico por método de Lutz em 76% e Kato-Katz em 21% dos casos. A maioria dos pacientes (82%) foi submetida a tratamento. Pacientes não tratados tinham menor escolaridade (p<0,01). Conclusão: não se pode excluir a possibilidade de haver casos de esquistossomose adquiridos em São Carlos, sendo oportuna a pesquisa de planorbídeos em coleções hídricas regionais.
Palavras-chave
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