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Avaliação do efeito da utilização de metodologias ativas de aprendizagem no currículo médico sobre os tipos de aprendizagem de estudantes do sexo masculino
Carla Maria Ramos Germano, Giula Zanata Rossi, João Marcos da Silva Fischer, Lucimar Retto da Silva de Avo, Sheyla Ribeiro Rocha

Última alteração: 2019-09-30

Resumo


Introdução: a qualidade do aprendizado de estudantes de escolas médicas têm sido tema de discussão recorrente na literatura científica (MACHADO et al., 2018) e há concordância de que o ambiente de ensino deve favorecer o aprendizado profundo, intimamente relacionado a uma aprendizagem significativa (CARABETTA, 2017). Metodologias ativas de aprendizagem estão vinculadas com maior qualidade de aprendizado, por favorecerem o aprendizado profundo (DOLMANS et al., 2015). Diversos fatores atuam nesse processo, como a percepção do ambiente educacional e condições sociodemográficas, mas pouco se sabe como se relacionam entre si (CRUZ et al., 2019). Há escassez de estudos nacionais acerca da qualidade do aprendizado em escolas médicas. Objetivos: avaliar a qualidade do aprendizado de estudantes de medicina de um curso que adota metodologias ativas de aprendizagem e correlacionar com dados sociodemográficos e com as percepções dos alunos acerca do ambiente educacional. Metodologia: estudo aprovado pelo CEP institucional (parecer: 2.661.069). Foram entrevistados 132 estudantes do sexo masculino do curso de Medicina da UFSCar (94% do total), utilizando um questionário sociodemográfico e os questionários R-SPQ-2F e DREEM (COSTA, 2010; GUIMARAES et al., 2015). Os dados categóricos foram apresentados em frequências absolutas e relativas e os numéricos em média±DP. As diferenças entre médias foram avaliadas pelo teste de Kruskal-Wallis ou pelo teste t não paramétrico e a correlação entre as variáveis pelo teste de Spearman. Análise estatística programa SPSS24® e significância de 5% (p<0,05). Resultados: pontuação abordagem profunda: 33,9±5,8 (mediana grupos controle ao 6ano: 36;35;33,5;33;33;31;36); abordagem superficial: 18,9±5,4 (17;19;17,5;17;17;19,5;17). Os estudantes do 5 ano (internato) tiveram o menor aprendizado profundo e o maior superficial (GUSTIN et al., 2018), porém a análise estatística formal não demonstrou diferença significativa entre os anos da graduação em relação aos tipo de aprendizagem. Pontuação do DREEM: 129,1±21 (64,6% da máxima). Houve diferença estatisticamente significativa entre o primeiro e o 2ano em relação ao DREEM (140x122). Por outro lado, o 6ano teve um aumento significativo na pontuação do DREEM em comparação com o 5ano (119x137). Verificou-se correlação positiva entre aprendizado profundo e DREEM (r=0,293;p=0,0006); correlação negativa entre aprendizado profundo e superficial (r=-0,282;p=0,001) e também entre aprendizado superficial e DREEM (r=-0,385;p<0,0001). Quanto às questões sociodemográficas, demonstrou-se correlação negativa entre contato prévio com metodologias ativas e aprendizado superficial (r=-0,215;p=0,014). Ter conhecimento de outro idioma, por outro lado, correlacionou-se negativamente com o aprendizado superficial (r=-0,310;p=<0,0001) e positivamente com o DREEM (r=0,247;p=0,0043). Conclusão: as estratégias educacionais que utilizam metodologias ativas de aprendizagem podem estimular a adoção de estratégias de aprendizado profundo pelos estudantes. Os estudantes que reconhecem seus ambientes educacionais e o processo de aprendizagem como satisfatórios demonstraram maior abordagem profunda de aprendizagem. As pressões sofridas pelo acúmulo de informações e sobrecarga de trabalho podem favorecer uma maior abordagem superficial do aprendizado. Os resultados do presente estudo apontam para a complexidade dos fatores que influenciam a aprendizagem dos estudantes de um curso médico e os autores sugerem pesquisas colaborativas multicêntricas para avaliar melhor os fatores fundamentais que determinam a abordagem de aprendizagem de estudantes de medicina e sua dinâmica ao longo do curso.

Palavras-chave


Aprendizagem Baseada em Problemas; Aprendizado Profundo; Educação de Graduação em Medicina

Referências


CARABETTA JR, V. Metodologia da problematização: possibilidade para a aprendizagem significativa e interdisciplinar na educação médica. FEM (Ed. impresa), Barcelona, v. 20, n. 3, p. 103-110, 2017.

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MACHADO, C. D. B.; WUO, A.; HEINZLE, M. Educação Médica no Brasil: uma Análise Histórica sobre a Formação Acadêmica e Pedagógica. Rev. bras. educ. med., Brasília , v.42, n.4, p.66-73, Dec. 2018.