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Concretos com a incorporação de pó de vidro: dosagem e comportamento mecânico
Giovana Massarico Gonçalves, Henrique Thiago Roque Pedroso, Fernanda Giannotti da Silva Ferreira

Última alteração: 2019-10-02

Resumo


O pó de vidro se configura como um resíduo que pode ser utilizado em concretos, em substituição ao cimento Portland. Além de atuar como ligante (reação pozolânica do pó de vidro com compostos da hidratação do cimento), ainda pode preencher os vazios entre as partículas dos materiais constituintes do concreto (efeito fíler). A questão ambiental também deve ser destacada, uma vez que com a redução da quantidade de cimento utilizada em concretos, há redução do volume de extração de matérias-primas por parte da indústria da construção civil, redução do consumo de energia e da poluição gerada pelas indústrias cimenteiras, diminuindo o impacto ambiental. Assim, neste trabalho, buscou-se desenvolver concretos com a incorporação de pó de vidro em diferentes teores: 10%, 20%, 30% e 50% em substituição volumétrica ao cimento. Para tanto, os materiais utilizados na composição dos concretos foram: pó de vidro de dimensão máxima de 75 mm, cimento CP V ARI, areia natural quartzosa, brita natural de origem basáltica, aditivo superplastificante à base de policarboxilato e nanosílica (10% em substituição volumétrica ao cimento). Após a misturas dos materiais, foram moldados corpos de prova de dimensões de 50 mm de diâmetro por 100 mm de altura, desmoldados com 24 horas e mantidos em cura úmida até a data de ensaio. Para os cinco traços de concretos estudados (referência - sem pó de vidro, 10%, 20%, 30% e 50% de pó de vidro) foram avaliadas as seguintes propriedades: resistência à compressão axial, a resistência à tração por compressão diametral e absorção de água por capilaridade dos concretos aos 7 e 28 dias de idade. No estado fresco, avaliou-se ainda a consistência dos concretos (mesa de consistência) logo após a mistura dos materiais, com o objetivo de verificar a trabalhabilidade de cada um dos traços desenvolvidos. Como conclusão, observou-se que a consistência dos concretos não variou entre as misturas estudadas (de 222 a 223 mm), demonstrando que utilização do pó de vidro em substituição ao cimento não interfere significativamente na trabalhabilidade das misturas. Em relação às propriedades dos concretos no estado endurecido, observou-se que a resistência média do concreto variou de 58,6 a 63,5 MPa; a resistência à tração por compressão diametral variou de 4,9 a 5,8 MPa e a absorção de água por capilaridade, de 0,28 a 0,35 g/cm2, aos 28 dias de idade. Após análise estatística dos resultados obtidos, verificou-se que não houve diferença significativa entre o concreto de referência (sem vidro) e os concretos com a incorporação de pó de vidro de dimensão máxima de 75 mm, nas propriedades estudadas (idade de 28 dias). Assim, dentre as misturas estudadas, o teor de pó de vidro de 50% é o indicado a ser utilizado em concretos, pois além de manter as características do concreto (consistência, resistência mecânica e absorção de água) em relação ao referência, possibilita uma maior redução do impacto ambiental, uma vez que a quantidade de cimento utilizada na mistura é menor.


Palavras-chave


Concreto; pó de vidro; resistência mecânica

Referências


PATIL, D. M.; SANGLE, K. K. Experimental Investigation of Waste Glass Powder as Partial Replacement of Cement in Concrete. International Journal of Advanced Technology in Civil Engineering, v.2, n.1, 2013.

RODIER, L; SAVASTANO JR., HOLMER. Use of glass powder residue for the elaboration of eco-efficient cementitious materials. Journal of Cleaner Production, 184, 2018.

SANTOS, M. O. Estudo de concretos com adição de nanosílica submetidos à ação combinada de cloretos e CO2. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2019.