Última alteração: 2019-09-30
Resumo
Introdução: No Brasil, a Atenção Básica à Saúde (ABS) constitui-se como o eixo estruturante do Sistema Único de Saúde (SUS), sendo o primeiro nível de contato do paciente com os serviços de saúde de forma a contemplar as principais situações de saúde, articular e integrar os níveis do sistema de saúde e outros setores, em vias de ampliar a resolutividade do SUS e obter maior impacto na situação de saúde das pessoas e coletividades. No caso da atuação da Fisioterapia na ABS, é identificada a reprodução do modelo biomédico curativo, com dificuldade no acolhimento das demandas e formação de longas filas de espera. Porém, o desconhecimento desta demanda dificulta o planejamento das ofertas e o gerenciamento da fila de espera, que são ações previstas da ABS. Objetivo: Caracterizar a demanda em fila de espera para assistência fisioterapêutica em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de São Carlos, interior do Estado de São Paulo e avaliar a qualidade dos dados fornecidos pelos formulários de encaminhamento-padrão para acolhimento da demanda e planejamento da oferta das ações do fisioterapeuta. Metodologia: Os dados foram coletados por meio de análise documental dos encaminhamentos aguardando por atendimento no Setor de Fisioterapia desde 2015 até Junho de 2018. Foram coletados os dados: idade, data da solicitação, data do recebimento pela UBS, nível assistencial da Unidade Solicitante, profissional solicitante, hipótese diagnóstica, solicitação de procedimento e tipo de formulário-padrão utilizado. Resultados: Foram avaliados 176 pedidos de encaminhamentos que se encontravam na fila de espera por atendimento fisioterapêutico. Destes, os principais diagnósticos identificados foram acometimento das doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo, com maior incidência de acometimentos lombares. Os encaminhamentos avaliados foram exclusivamente médicos, com predominância do nível secundário para a Atenção Básica. A descrição da hipótese diagnóstica (HD) se apresentou diversificada quanto a utilizar o código de Classificação Internacional de Doenças ou outra e em 11% dos encaminhamentos a (HD) não estava legível e em 19% a HD não foi preenchida. Conclusões: As demandas encontradas na fila de espera na Atenção Básica confirmam predominância de solicitações de doenças do sistema osteomuscular para assistência fisioterapêutica por meio de solicitação médica. Os dados disponíveis sobre a demanda em fila de espera requerem maior padronização e comprometimento dos profissionais para planejamento das ações e ofertas, sendo reforçada a necessidade de trabalho em rede para cuidado integral.