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Caracterização de metaloproteinases (MMPs) em exossomos de células tumorais de mama
Bianca Cruz Pachane, Wanessa Fernanda Altei, Heloisa Sobreiro Selistre de Araujo

Última alteração: 2019-10-03

Resumo


IIntrodução: O desenvolvimento do câncer é consequência de alterações genéticas em células saudáveis, que passam a exibir comportamentos chave de proliferação aumentada, angiogênese, invasão e metástase. Metástases são decorrentes de células tumorais geneticamente instáveis que perdem sua adesão ao tecido tumoral, invadem a corrente sanguínea e se instalam em tecidos distantes gerando novos focos de tumor. A invasão é uma migração ativa dependente de moléculas de adesão, componentes do citoesqueleto e enzimas proteolíticas, como as metaloproteinases de matriz (MMPs). O remodelamento da matriz extracelular (MEC) pelas MMPs permite que as células tenham espaço físico para migrar pelo tecido. Uma classe dessas enzimas, as gelatinases (MMP-2 e MMP-9) são intimamente relacionadas ao câncer, auxiliando na clivagem do colágeno tipo I para liberação do sítio de ligação da integrina αvβ3. Esse receptor de adesão, parte da família de heterodímeros transmembrana, reconhece motivos RGD e inicia uma cascata de sinalização citoplasmática, culminando na invasão e migração celular. A invasão celular também é dependente da comunicação entre células mediada por vesículas extracelulares, especialmente por exossomos, que são originados por uma via endossomal. Exossomos são significativamente mais abundantes em células tumorais, podendo reprogramar células saudáveis para adquirirem capacidade metastática.

Objetivo: Neste trabalho, propusemos a identificação da presença e atividade das gelatinases MMP-2 e MMP-9 em exossomos isolados e purificados de células tumorais de mama (MDA-MB-231) e o estudo da relação da integrina αVβ3 com a invasão celular mediante uso da desintegrina recombinante DisBa-01.

Metodologia: Exossomos de células MDA-MB-231 foram isolados por método de ultracentrifugação diferencial e purificados em gradiente de densidade de iodixanol. As amostras foram caracterizadas mediante identificação de biomarcadores CD63, CD9 e flotilina por Western blot, quantificação proteica e contagem de partículas. Exossomos foram testados para MMP-2 e MMP-9 por Western blot e zimografia. Ensaios de migração e invasão celular in vitro foram realizados com MDA-MB-231 mediante tratamento com DisBa-01.

Resultados: Verificou-se que comportamentos migratórios e invasivos de células tumorais de mama in vitro foram inibidos por DisBa-01. As enzimas MMP-2, MMP-9 e o precursor pro-MMP2 identificadas em exossomos isolados e purificados dessa linhagem celular, com atividade normal detectada por zimografia.

Conclusão: Com a presença dessas enzimas em exossomos, podemos inferir que essas vesículas participam da degradação ativa da MEC, auxiliando no processo de invasão de células tumorais no tecido adjacente.

Financiamento: CAPES, CNPq, FAPESP [2014/18747-8]


Palavras-chave


metaloproteinases; exossomos; cancer de mama