Última alteração: 2019-10-03
Resumo
O Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB) foi instituído em 2013 por meio de três eixos: melhoria da infraestrutura da rede de saúde; ampliação das reformas educacionais dos cursos de Medicina e residência médica; e provisão de médicos em áreas vulneráveis. Apesar das polêmicas iniciais, o PMMB se consolidou no imaginário dos brasileiros como uma política pública eficiente. Esta pesquisa investigou a percepção das equipes de saúde das unidades em que houve a alocação de médicos do programa em São Carlos/SP: como vêm e falam do PMMB, seus aspectos positivos e negativos, dificuldades e sugestões. Seus procedimentos consistiram na aplicação de entrevista semiestruturada a profissionais de saúde de, no mínimo, cinco unidades em que acontece a presença do médico pelo PMMB, com no mínimo 01 ano de permanência. O material das entrevistas foi submetido a análise de conteúdo e dela extraímos os seguintes resultados: quando indagados a respeito de suas percepções acerca da supervisão e da gestão locais do programa, todos disseram terem os médicos sido bem acolhidos e ressaltaram o bom relacionamento com os supervisores (inclusive em momentos de certa insegurança); todos afirmaram enxergar um impacto largamente positivo, com o fortalecimento da atenção básica, o apoio da supervisão e a disposição dos profissionais envolvidos com o programa; em relação a aspectos negagtivos, no geral, focaram em deficiências estruturais do próprio sistema de saúde; preferências pessoais quanto à própria estruturação do Programa de Saúde da Família; com relação a habilidades que consideram relevantes para a atuação na Atenção Básica: mencionou-se capacidade de gestão do processo de trabalho, paciência, boa comunicabilidade, visão ampliada, ser “humano”, “jeito” para trabalhar com prevenção e disposição para promover a continuidade do acompanhamento; todos os médicos entrevistados manifestaram claro desejo por ingressar na residência médica nos próximos anos; mas também se mostraram dispostos a continuar no programa pelo período de, pelo menos, um ano; nesse sentido, pontuaram a inexistência de um plano de carreira efetivo que pudesse prolongar o vínculo. Foram feitas algumas sugestões específicas em favor do(a): maior foco em prevenção primária; diminuição das horas destinadas à educação continuada; maior permanência e estabilidade dos médicos em cada unidade, visando assegurar a longitudinalidade do cuidado; correção gradativa e em nível local dos problemas estruturais mencionado. a pesquisa realizada ampliou, de alguma forma, o conhecimento acerca do Programa Mais Médicos para o Brasil (PMMB), fornecendo informações de grande valor para que, sob a perspectiva de membros das equipes de saúde, melhor se entenda seu impacto no contexto local.
Palavras-chave
Referências
ASSIS, M.; JESUS, WLA. Acesso aos serviços de saúde: abordagens, conceitos, políticas e modelo de análise. Ciência & Saúde Coletiva, 17(11), 2865-2875, 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Seminário Nacional sobre Escassez, Provimento e Fixação de Profissionais de Saúde em Áreas Remotas de Maior Vulnerabilidade. Brasília: Ministério da Saúde/SGETS, 2012.
BRASIL. Exposição de Motivo nº 00024/2013 MS MEC MP. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2013/Mpv/mpv621.htm. Acesso em agosto de 2018
CRUZ, MM. Avaliação de Políticas e Programas de Saúde: contribuições para o debate. In. Caminhos para Análises de Políticas de Saúde. Disponível em: http://www.ims.uerj.br/ccaps/wp-content/uploads/2011/10/LivroCompleto-versao- online.pdf. Acesso em: janeiro de 2018.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. A atenção à saúde coordenada pela APS:construindo as redes de atenção no SUS. Contribuições para o debate. /Organização Pan-Americana da Saúde. Brasília : OPAS, 2011.
PAIM, J. S.; TEIXEIRA, C.F. Política, Planejamento e Gestão em Saúde: balanço do estado da arte. Revista de Saúde Pública, 2006. 40(nº esp.) 73-79.
SEIBEL, E. J; GELINSKI, C. R. Concepção do Estado e Escolha da Metodologia de Avaliação de Políticas Públicas. Sociedade Brasileira de Políticas Econômicas, 2007. Disponível em: http://www.sep.org.br/artigo. Acesso em: 23 mar. 2018.