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Concepções sobre risco ao desenvolvimento infantil de uma equipe de profissionais que atua na primeira infância
Patricia Carla de Souza Della Barba, Mariana Ferrari Franco

Última alteração: 2019-10-07

Resumo


O Desenvolvimento Infantil (DI), em especial nos três primeiros anos da criança, está sujeito a uma série de riscos, que podem ocorrer no meio interno (fatores biológicos e genéticos) e externo (fatores ambientais), dessa forma um crescimento saudável depende da interação adequada desses fatores. Atualmente há uma visão de atenção intersetorial, que promove um atendimento e monitoramento integral do desenvolvimento infantil, unindo diversas áreas do conhecimento, como a saúde, educação e assistência social, tornando as ações mais completas e eficientes. Este estudo se baseou no trabalho intersetorial, e teve como principal objetivo analisar os conceitos de risco para o desenvolvimento infantil trabalhados pelas diferentes áreas profissionais de uma equipe multiprofissional que atua em um município de pequeno porte do estado de São Paulo. O estudo é qualitativo, tendo como referencial metodológico a Análise de Conteúdo. A coleta e análise de dados foi estruturada em uma triangulação: entrevista semiestruturada, pesquisa documental em documentos utilizados pela equipe e análise de transcrições de supervisões realizadas com a equipe ao longo do acompanhamento de famílias atendidas. Os resultados mostraram que os profissionais trabalham com uma noção ampliada de risco para o desenvolvimento infantil, levando em consideração diversos fatores de risco: os fatores sociais e relacionados à vulnerabilidade; fatores relacionados à saúde/componentes biológicos e genéticos; os fatores relacionados ao ambiente; fatores emocionais/relações familiares e sociais; e concepção de risco relacionada à violação de direitos da criança e do adolescente. Os profissionais não se baseiam em referencial teórico e nem em instrumentos específicos para avaliação de risco em seus serviços. A identificação dos riscos pelos profissionais ocorre das seguintes formas: por meio de trabalho intersetorial; contato direto do profissional com a criança; observação da criança em seu contexto natural, como a escola e avaliação da criança e do contexto familiar. Esse trabalho mostrou mais uma vez a importância da intersetorialidade na atenção integral à primeira infância. Entretanto, a prática dos profissionais não ocorre de forma interligada, ela envolve profissionais de áreas distintas mas a ação em si é realizada por cada profissional em seu setor individualmente, mostrando a necessidade de embasamento em referencial teórico específico e de um instrumento ou de um documento de triagem padronizado para detecção de risco para o desenvolvimento infantil interdisciplinar, envolvendo as diferentes áreas de atuação : educação, assistência social e saúde.

Palavras-chave


desenvolvimento infantil; risco; profissionais

Referências


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