Última alteração: 2019-10-03
Resumo
Introdução - A assistência pré-natal de qualidade destaca-se como fator indispensável nos desfechos maternos e perinatais mais favoráveis, em função de sua capacidade de permitir a detecção precoce e o tratamento oportuno de diversas doenças, além do controle de alguns fatores de risco que causam complicações à saúde da mulher e do recém-nascido. As taxas de mortalidade materna e infantil no município de São Carlos (altas quando comparado a municípios com mesmo porte populacional e IDH igual ou superior), têm relação direta com a qualidade dos serviços de saúde prestados à mulher. Considerando que as recomendações da Rede Cegonha – Ministério da Saúde podem prevenir os óbitos maternos e infantis considerados evitáveis, faz-se necessário a avaliação dos serviços de saúde para a qualificação da assistência. Objetivos - 1) Analisar o processo da assistência pré-natal das unidades básicas de saúde que não funcionam com Estratégia de Saúde da Família, utilizando os parâmetros preconizados pelo Ministério da Saúde. Metodologia - Estudo descritivo e transversal sobre a assistência ofertada no âmbito da Atenção Básica à Saúde no Município de São Carlos, SP. A amostra final foi composta por prontuários de gestantes de 2017. Foram excluídos: prontuários não localizados; mulheres que realizaram pré-natal na Estratégia de Saúde da Família; gravidez não confirmada; abortamento; gestantes que interromperam o pré-natal na unidade com idade gestacional menor que 30 semanas. O formulário de coleta de dados de prontuários foi elaborado e pré-testado, baseado em critérios de qualidade da assistência Pré-natal e puerperal da Rede Cegonha. O projeto de pesquisa foi apresentado e pactuado cronograma de pesquisa nas unidades básicas de saúde e foi previsto momento de devolutiva e discussão dos resultados com participação dos(as) enfermeiros (as) supervisores (as) do pré-natal. Materiais utilizados: Extrato do Questionário de “Autoavaliação do Programa para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica” e Formulário padrão. RESULTADOS - A idade gestacional média de início de pré-natal foi de 10 semanas, com média de 8 consultas, além disso, das 213 gestantes pesquisadas 70,4% apresentaram início precoce e adequado da assistência pré-natal, e apenas 2% iniciaram o pré-natal no terceiro trimestre gestacional. O registro dos procedimentos e exames realizados na primeira rotina (independentemente da idade gestacional) atingiu valores superiores a 91%. Por outro lado, os registros de segunda rotina apontam que 44% das gestantes não havia registro de nenhum dos exames preconizados. Quanto a vinculação à maternidade, apenas 6% dos prontuários incluídos possuíam registro que confirmasse tal recomendação. CONCLUSÃO - Os resultados encontrados demonstram que a adequação da assistência pré-natal possui caráter decrescente. 81% das gestantes realizou todos os exames de primeira rotina recomendados, enquanto 44% das gestantes não realizou nenhum dos exames de segunda rotina. Identificamos também uma aparente desvalorização no registro de procedimentos pré-natais, desconsiderando seu papel fundamental para os sistemas de informação e avaliações do serviço. Em relação ao instrumento utilizado, para alcançar resultados mais concisos quanto a autoavaliação dos profissionais, seria interessante buscar um instrumento alternativo.
Palavras-chave
Referências
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