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INFLUÊNCIA DE UM PROTOCOLO DE EXERCÍCIO DE CARGA CONSTANTE NA MODULAÇÃO AUTONÔMICA CARDÍACA DE PACIENTES COM DIABETES MELLITUS TIPO 2
Natália Schichi Valverde, Stephanie Nogueira Linares, Juliana Cristina Milan-Mattos, Ana Carolina Aparecida Marcondes, Silvia Cristina Garcia de Moura Tonello, Aparecida Maria Catai

Última alteração: 2019-10-03

Resumo


Introdução: O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é uma síndrome de etiologia múltipla que promove disfunções no controle autonômico cardíaco. Essas alterações estão relacionadas a um desbalanço entre as modulações simpática e parassimpática, com predominância da modulação simpática. Um método de avaliação não invasiva da modulação autonômica cardíaca é a variabilidade da frequência cardíaca (VFC), a qual pode ser analisada por índices lineares e não lineares. Estudos mostram que o exercício físico aplicado de forma aguda propicia modificações da função autonômica cardiovascular na recuperação pós-exercício. Assim, a avaliação da VFC por meio de análise simbólica e complexidade, em pacientes diabéticos, antes, durante e após exercício físico, pode trazer informações complementares sobre o controle autonômico cardíaco nessa população. Objetivo: Verificar a influência do DM2 nas respostas da modulação autonômica cardíaca, avaliadas pela VFC, nos momentos de repouso, exercício físico de carga constante e recuperação. Materiais e Métodos: Foram avaliados 39 homens com idade entre 40 e 64 anos, divididos em 2 grupos: grupo GDM2 (GDM2, n=20) e grupo controle (GC, n=19). Os voluntários foram submetidos às seguintes avaliações: anamnese, exame físico, teste de exercício clínico, teste de exercício cardiopulmonar (TECP) e protocolo de carga constante (PCC). O TECP foi utilizado para determinar a carga (80% do limiar de anaerobiose ventilatório) do PCC. A VFC foi avaliada por meio da análise simbólica e da Entropia de Shannon (ES), e para ambas as análises foram selecionados trechos com 256 pontos em repouso, exercício físico e recuperação. Os dados foram analisados por testes estatísticos específicos (paramétricos ou não paramétricos) de acordo com a distribuição dos dados. Os resultados para as três condições foram comparados intragrupo e intergrupo, e o nível de significância adotado foi de 5% para todos os testes. Resultados: O GDM2, na condição repouso-recuperação, apresentou maior modulação simpática (0V% - repouso: 19,99±10,42 e recuperação: 28,98±12,83), menor modulação parassimpática (2ULV% - repouso: 16,74±7,32 e recuperação: 12,85±6,15) e menor complexidade (ES - 3,69±0,35 e recuperação: 3,46±0,35) quando comparado a condição recuperação após exercício de carga constante. Na comparação intergrupos observou-se que o GDM2 tem maior modulação simpática no momento do repouso pré exercício e durante o exercício físico (49,50±4,73 e 49,39±8,51, respectivamente), comparativamente ao GC (repouso: 46,44±4,24, exercício físico: 44,76±5,31). Conclusão: O GDM2 apresentou prejuízo do controle autonômico cardiovascular após exercício de carga constante, avaliado por índices da VFC. Ainda, o entendimento sobre o controle autonômico cardiovascular, durante e após exercício físico submáximo de carga constante, o qual mostra ser alterado no diabetes mellitus tipo 2, propiciará subsídios para maior cuidado e segurança durante a prescrição do exercício físico aeróbio para pacientes com essa patologia.


Palavras-chave


Sistema Nervoso Autônomo; Frequência Cardíaca; Exercício Físico; Diabetes Mellitus tipo 2

Referências


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