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CLASSIFICAÇÃO DO RISCO DE CONSUMO DE ÁLCOOL DE GESTANTES NOS ÚLTIMOS 12 MESES E DURANTE A GRAVIDEZ
Geovana Carisani Possa, Angélica Martins de Souza Gonçalves, Sonia Regina Zerbetto

Última alteração: 2019-10-02

Resumo


RESUMO

Objetivo: Classificar o risco de consumo de álcool de gestantes nos últimos 12 meses e durante a gravidez. Método: Estudo observacional transversal desenvolvido em quatro Unidade de Atenção Primária à Saúde de São Carlos/SP e no Centro de Referência da Saúde da Mulher, em Ibaté/SP, no período desde dezembro de 2017 a junho de 2019. Foram recrutadas gestantes, cadastradas e em acompanhamento de pré-natal nas Unidades de Atenção Primária à Saúde da cidade de São Carlos e no Centro de Referência de Saúde da Mulher de Ibaté. Os critérios de exclusão foram as gestantes que não preencheram integralmente. Para coleta de dados, foram utilizados três instrumentos: (i) o questionário constituído por dados sociodemográficos e obstétricos; (ii) Teste para Identificação de Problemas Relacionados ao Uso de Álcool (AUDIT); (iii) Tolerance, Annoyed, Cut down, Eye opener (T-ACE). Para análise dos dados, utilizou-se estatísticas descritivas, calculadas através do programa estatístico SPSS, versão 22.0. Resultados: Participaram 118 gestantes, com média de idade de 26 anos, sendo a mínima de 15 e a máxima de 41 anos. Nos últimos 12 meses, pelo instrumento AUDIT, identificou-se que 86,4% das gestantes que responderam à entrevista consumiram álcool dentro de limites de baixo risco; 10,2 % consumiram dentro dos limites de risco; 1,7% nos limites de uso nocivo; e 1,7% nos limites de provável dependência. Em relação ao uso de álcool durante a gravidez, avaliado pelo instrumento T-ACE, os resultados mostraram 88,1% não consumiram durante a gravidez e 11,9% fizeram uso. Conclusão: Neste estudo, a maioria das gestantes consumiram álcool dentro de limites de baixo risco e mantiveram-se abstinentes durante a gestação. Entretanto, uma porcentagem semelhante àquelas que fizeram uso abusivo nos últimos 12 meses, foi encontrada entre às que fizeram uso durante a gestação. Nesse contexto, rastrear e monitorar os fatores que modificam ou não o comportamento da gestante em relação com o consumo de substâncias nocivas e sua motivação para cessar o consumo de substâncias devem ser elaborados e implementados pelos profissionais de saúde, especialmente enfermeiros. A procura por cuidados pré-natais tem sido associada com variáveis sociodemográficas, como idade jovem, baixa situação socioeconômica e nível médio de escolaridade. Portanto, o presente estudo evidencia a importância do acompanhamento pré-natal de qualidade e do monitoramento do comportamento de gestantes frente ao consumo de bebidas alcoólicas, visto que não existem valores seguros quando se considera a quantidade de álcool ingerida por gestantes.


Palavras-chave


Abuso de substâncias; Saúde Mental; Gestação

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