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Caracterização e Evolução do Fruto Carnoso em Malpighia L. (Malpighiaceae)
Wendy Stefani Cristine Silva, Rafael Felipe de Almeida, Leticia Silva Souto

Última alteração: 2019-10-30

Resumo


Malpighiaceae é uma família de distribuição tropical e subtropical, com maior diversidade no continente sul-americano, sendo o Brasil o mais diverso em número de espécies. A família é monofilética, mas a classificação infrafamiliar ainda é controversa e tem sido reavaliada. Esta classificação tradicional era baseada principalmente nos tipos de frutos, que são extremamente diversificados na família, podendo ser deiscentes ou indeiscentes, secos ou carnosos, sendo suas características consideradas homoplásticas. Entretanto, quando análises detalhadas são realizadas, os dados mostram que os frutos ainda podem trazer contribuições significativas, principalmente na discussão sobre evolução desses frutos. O gênero Malpighia L. é um dos três únicos a apresentarem frutos carnosos em Malpighiaceae e apresentam, aparentemente, somente parte externa do pericarpo carnoso, com uma porção interna rígida nitidamente separada em três subunidades em materiais herborizados, os mericarpos. Atualmente, o gênero é posicionado no clado Malpighioide em meio a diferentes linhagens cujo ancestral apresentava um fruto seco esquizocárpico com mericarpos alados. Dessa forma, um estudo anatômico aprofundado dos frutos de Malpighia nos permitiu responder: 1. Os frutos de Malpighia podem ser caracterizados como bagas ou drupas do ponto de vista anatômico? e 2. Qual seria a melhor definição para o fruto de Malpighia caso sua origem esquizocárpica seja corroborada pelos dados anatômicos? Para isso foram analisados os frutos maduros de seis espécies de Malpighia, provenientes de material herborizado. O material foi reidratado para reverter o processo de herborização, fixado, desidratado, incluídos em historesina à frio, cortados em micrótomo rotativo, corados com Azul de Toluidina a 0,05% e montados em água para observação em microscópio de luz. Todas as espécies apresentam exocarpo unisseriado. O mesocarpo pode ser dividido em três regiões. O mesocarpo externo é parenquimático. O mesocarpo médio varia, sendo formado por células parenquimáticas com conteúdo fenólico em M. cubensis, M. fucata e M. urens. Em M. adamsii, M. albiflora e M. cnide o parênquima fenólico é interrompido por blocos de fibras. O mesocarpo interno é formado por células lignificadas e alongadas transversalmente. O endocarpo é formado por células lignificadas e alongadas longitudinalmente, com drusas dispersas em M. cubensis e uma camada cristalífera em M. albiflora, M. cnide, M. fucata e M. urens. O pirênio é formado pelo mesocarpo médio, interno e endocarpo e é dividido em três mericarpos, cada um com três a cinco projeções alares. Estas são formadas principalmente pelo mesocarpo médio, que na projeção apresenta camada externa fenólica, preenchido de parênquima, com fibras. Em M. cnide a projeção é preenchida apenas pelas fibras. Em M. cubensis e M. fucata, internamente à camada fenólica, também ocorrem algumas camadas de fibras. O fruto é, portanto, do tipo drupóide, mas podemos corroborar a afirmação de que a retirada da porção carnosa revela um pirênio separado em três partes livres. As projeções do pirênio são muito semelhantes em posição e aspecto geral às alas dos frutos alados do clado Malpighioide já descrito, o que pode indicar uma origem comum para esses frutos. Também confirmamos os padrões anatômicos já descritos para os frutos da família.


Palavras-chave


Malpighioide; drupa; pericarpo; esquizocárpico